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Ex‑presidente Juan Orlando Hernández retorna a Honduras após indulto de Donald Trump

Ex‑presidente Juan Orlando Hernández retorna a Honduras após indulto de Donald Trump

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Fonte: JOHNY MAGALLANES / AFP

O ex‑presidente hondurenho Juan Orlando Hernández retornou a Honduras neste domingo (26) e agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por conceder-lhe um indulto que anulou uma pena de 45 anos de prisão por tráfico de drogas.

Em junho de 2024, um juiz federal em Nova York havia condenado Hernández a 45 anos de reclusão, cerca de dois anos após sua extradição para os Estados Unidos. A Promotoria americana o considerou culpado de colaborar no contrabando de centenas de toneladas de cocaína produzida na Colômbia com destino aos EUA, em conluio com narcotraficantes como o mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán, atualmente cumprindo pena perpétua nos EUA.

Hernández afirmou, diante de apoiadores em Comayagua, que foi vítima de uma “caça às bruxas” e agradeceu a Trump, citando uma revisão detalhada feita pela equipe do presidente americano. Segundo reportagens, ele teria recebido o perdão antes das eleições presidenciais de novembro passado; a sentença foi anulada em abril passado após o indulto.

O ex‑mandatário, conhecido pelas iniciais JOH, chegou em voo privado e tem proteção oficial por ter sido presidente entre 2014 e 2022. Apesar do indulto americano, ele voltará a enfrentar a justiça em Honduras: é acusado de desviar dois milhões de dólares (aproximadamente R$ 10 milhões, na cotação citada) de fundos públicos para financiar sua primeira campanha e deve se apresentar ao Judiciário em 3 de agosto, após a suspensão de uma ordem de prisão emitida no processo.

Durante o ato de retorno, Hernández anunciou que tentará reaver 131 bens confiscados no momento de sua extradição e não descartou um possível retorno à política, caso perceba o avanço de um “radicalismo” que ele critica.

O retorno provocou reações contrárias: a ex‑candidata Rixi Moncada afirmou que ele deveria pagar pelos seus crimes, e a deputada Alia Kafati destacou que indulto não equivale a inocência. Organizações de defesa dos direitos e analistas, como Ana María Méndez, do WOLA, alertaram que o caso testa a independência do sistema judicial e reacende o debate sobre impunidade.

A carreira política de Hernández foi marcada por denúncias de corrupção e controvérsias. Ele foi um dos promotores das Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômico (ZEDE), declaradas inconstitucionais em 2024, e teve uma reeleição em 2017 viabilizada por interpretação da Suprema Corte, apesar da proibição constitucional, eleição que gerou protestos com cerca de 30 mortos. Também houve divulgação de áudios que supostamente ligariam o indulto a trâmites internacionais; Hernández negou a veracidade das gravações.

A Procuradoria americana chegou a acusar Hernández de transformar Honduras num “narco‑Estado” e de ter dito, segundo testemunha cooperante, que colocaria drogas “debaixo do nariz dos gringos” para que não fossem percebidas. Em suas declarações neste retorno, Hernández reafirmou sua inocência e criticou o uso da justiça como instrumento político.

Fonte da matéria: itatiaia.com.br