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X completa 20 anos: 20 marcos que marcaram a rede social

X completa 20 anos: 20 marcos que marcaram a rede social

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Fonte: Reprodução

Vinte anos depois de sua estreia, a plataforma que começou como twttr e tornou-se conhecida mundialmente como Twitter — hoje X — acumulou marcos que mudaram a comunicação online e também geraram controvérsias sobre moderação e desinformação.

O primeiro registro da rede foi publicado por Jack Dorsey em 21 de março de 2006: “just setting up my twttr”. O serviço foi aberto ao público em 15 de julho de 2006 e nasceu com a proposta inicial de enviar pequenas atualizações por SMS, o que explica o limite de 140 caracteres das primeiras versões.

Em 2007, a plataforma ganhou visibilidade no South by Southwest (SXSW), quando mensagens exibidas em telas do evento mostraram seu potencial para acompanhar acontecimentos em tempo real. No mesmo ano, em agosto, o usuário Chris Messina sugeriu o uso do símbolo # para agrupar conversas; a hashtag, inicialmente subestimada pela empresa, foi adotada pela comunidade e se espalhou por outras redes.

Em 2009, durante os protestos após a eleição no Irã, o serviço foi usado por manifestantes para divulgar relatos apesar de bloqueios a outros meios de comunicação. Nesse ano também surgiram dois recursos importantes: o selo azul de verificação para contas autênticas e a versão oficial do retweet, formalizando práticas já adotadas pelos usuários.

Nos anos seguintes, o Twitter teve papel relevante em mobilizações como a Primavera Árabe, ao mesmo tempo em que se tornou alvo de debates sobre vigilância, propaganda e manipulação. Em maio de 2011, o paquistanês Sohaib Athar publicou relatos sobre atividade militar em Abbottabad que, posteriormente, se relacionaram com a operação que matou Osama bin Laden.

Na esfera política e cultural, a plataforma trouxe mudanças: em 2012, uma foto de Barack Obama após a reeleição tornou-se, naquele momento, a publicação mais compartilhada; em 2013, a empresa abriu capital na Bolsa de Nova York sob o código TWTR; e, em 2014, a selfie de Ellen DeGeneres no Oscar e os 35,6 milhões de publicações sobre a derrota do Brasil por 7 a 1 na Copa do Mundo mostraram seu peso em eventos ao vivo.

A hashtag #BlackLivesMatter, criada em 2013, ganhou força no Twitter durante os protestos de Ferguson em 2014, ilustrando como uma etiqueta passou a servir também como símbolo de mobilização. Ao mesmo tempo, a expansão do uso político trouxe preocupações: na eleição presidencial dos EUA de 2016, o uso de contas falsas e operações de influência, atribuídas a atores estrangeiros, expôs riscos de manipulação.

Entre decisões de produto, o encerramento do Vine em 2016 foi visto depois como oportunidade perdida para vídeos curtos. Em 2017, o limite de caracteres foi ampliado para 280, gerando resistência inicial que, com o tempo, foi incorporada pelos usuários.

A pandemia de Covid-19 intensificou a pressão por ações contra desinformação; o serviço passou a aplicar rótulos e restrições em publicações enganosas, inclusive em posts de líderes políticos. Em julho de 2020, um grande ataque às contas de figuras influentes demonstrou vulnerabilidades: invasores promoveram um golpe de criptomoedas após obter acesso a sistemas internos por engenharia social.

Após a invasão do Capitólio em janeiro de 2021, a conta de Donald Trump foi suspensa permanentemente por risco de incitação à violência. Meses depois, Jack Dorsey deixou a presidência-executiva e Parag Agrawal assumiu, encerrando o ciclo dos fundadores na gestão diária da empresa.

A aquisição por Elon Musk foi um processo conturbado: após compra de participação, oferta total, disputa judicial e negociação, o acordo foi concluído em outubro de 2022 por US$ 44 bilhões. A gestão inicial de Musk trouxe mudanças rápidas, com demissões em massa, redução de equipes de moderação e reformulação do sistema de verificação, que passou a ser oferecido a assinantes.

Em julho de 2023, a plataforma foi rebatizada oficialmente como X e o ícone do passarinho azul foi aposentado. A empresa também integrou o Grok, chatbot da xAI, e enfrentou conflitos com grandes anunciantes preocupados com moderação e segurança de marca.

No Brasil, o serviço ficou bloqueado entre 30 de agosto e 8 de outubro de 2024 por descumprir decisões judiciais e não manter representante legal no país; voltou após bloquear contas determinadas pela Justiça, pagar multas e restabelecer representação local.

As movimentações societárias continuaram nos anos seguintes: em março de 2025 a xAI adquiriu o X em operação que avaliou a rede em US$ 33 bilhões; poucos meses depois, Linda Yaccarino deixou o cargo de CEO; e, em fevereiro de 2026, a SpaceX comprou a xAI, reunindo o X, o Grok e outras atividades sob uma mesma estrutura.

A atuação da empresa também foi alvo de sanções regulatórias: em dezembro de 2025 a União Europeia aplicou multa de €120 milhões por violações de transparência; em 15 de julho de 2026 a Comissão Europeia aceitou um plano de adequação apresentado pela empresa.

Na semana em que a plataforma completou 20 anos, Elon Musk afirmou que pretende abrir o código-fonte do serviço após uma revisão de vulnerabilidades — promessa que, até o momento, permanece como intenção.

Ao longo de duas décadas, a rede influenciou formas de comunicação, política e mobilização social, ao mesmo tempo em que enfrentou desafios recorrentes relacionados à desinformação, moderação e sustentabilidade comercial.

Fonte da matéria: canaltech.com.br