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A maior extinção da Terra não foi a dos dinossauros

A maior extinção da Terra não foi a dos dinossauros

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Fonte: Arte/Metrópoles

Quando se fala em extinções em massa, o impacto que eliminou os dinossauros há 66 milhões de anos costuma vir à mente, mas esse episódio foi apenas um dos cinco grandes colapsos biológicos do planeta e não o mais severo.

Ao longo dos cerca de 4,5 bilhões de anos da Terra, crises ambientais sucessivas exterminaram grande parte das espécies e remodelaram ecossistemas. Para o paleontólogo Julian Silva Junior, da Universidade de São Paulo (USP), um evento passa a ser classificado como extinção em massa quando ao menos 75% das espécies desaparecem em um intervalo curto em termos geológicos.

Esses episódios têm alcance planetário, atingem diversos grupos de organismos e provocam profundas reorganizações nos ambientes. “Rápido”, em geologia, pode corresponder desde alguns anos até milhares ou centenas de milhares de anos, segundo Julian Silva Junior.

A cientista Flavia Callefo, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ressalta que não existe uma causa única para todas as extinções em massa. Mudanças climáticas aparecem em todos os episódios conhecidos, mas costumam atuar em conjunto com outros fatores, como grandes episódios de vulcanismo e alterações nas condições dos oceanos. O impacto de asteroide, embora famoso, foi excepcional e é a explicação principal apenas para a extinção do fim do Cretáceo.

Grandes erupções vulcânicas liberam quantidades enormes de dióxido de carbono e outros gases que podem aquecer o clima com rapidez. No ambiente marinho, essas alterações tendem a reduzir o oxigênio disponível e a aumentar a acidez, ameaçando muitas formas de vida aquática.

A recuperação após uma extinção em massa é lenta e não restaura exatamente os ecossistemas anteriores: novas linhagens emergem e ocupam nichos deixados por grupos extintos. Segundo Flavia Callefo, a reorganização inicial dos ecossistemas ocorre entre dezenas e centenas de milhares de anos; o aparecimento de novas espécies pode levar de 1 a 10 milhões de anos; e a restauração de níveis de biodiversidade comparáveis aos pré-crise frequentemente exige entre 10 e 30 milhões de anos ou mais.

Fonte da matéria: metropoles.com