Atualizado há poucos minutos Agora

Dor no treino revela hipofosfatasia em homem de 31 anos

Dor no treino revela hipofosfatasia em homem de 31 anos

Escutar notícia com IA

Toque no play para começar
00:00 00:00

Fonte: Arquivo pessoal

Uma dor no quadril sentida durante um treino funcional em fevereiro de 2023 levou o engenheiro de software Guilherme Isidoro, hoje com 31 anos, a descobrir uma doença óssea rara. O quadro inicial, interpretado como lesão muscular, revelou-se uma fratura extensa que comprometia cerca de 60% do colo do fêmur esquerdo, sem queda ou acidente.

Após três meses mancando, Guilherme fez ressonância magnética que identificou a fratura. O osso estava muito comprometido e foi necessária cirurgia para fixação com três pinos. A recuperação permitiu retorno ao trabalho e às atividades físicas, inclusive corrida, mas nova dor na perna direita levantou a hipótese de um problema sistêmico.

Encaminhado a ortopedista, endocrinologista e reumatologista, ele recebeu, cerca de seis meses depois do primeiro episódio, a suspeita e o diagnóstico de hipofosfatasia (HPP). A investigação foi facilitada pelo trabalho integrado da equipe médica, segundo Guilherme.

A hipofosfatasia é causada por alterações no gene ALPL, que reduz a atividade da enzima fosfatase alcalina. Isso prejudica a formação óssea, tornando os ossos mais frágeis e elevando a probabilidade de dores musculoesqueléticas, fraturas recorrentes e perda precoce de dentes.

O médico geneticista Fabrício Maciel Soares, da Mosaico Genética Médica, destaca que sintomas como dores persistentes, fraturas em pessoas jovens sem trauma significativo, consolidação óssea lenta e perda dentária costumam ser tratados isoladamente, atrasando o diagnóstico. Ele lembra que níveis baixos de fosfatase alcalina em exame de sangue são pista importante frequentemente negligenciada.

Atualmente, Guilherme faz acompanhamento médico contínuo e tratamento para proteger os ossos. Seu objetivo é obter acesso à asfotase alfa (Strensiq), terapia de reposição enzimática que atua na causa da hipofosfatasia e que, segundo o especialista, modificou o prognóstico nos casos mais graves. O medicamento ainda não está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para adultos.

Além da reposição enzimática, o diagnóstico precoce permite orientar a prática de atividades físicas, monitorar saúde óssea e odontológica e evitar medicamentos potencialmente prejudiciais. Guilherme afirma que o maior desafio foi aprender a conviver com a condição sem que ela definisse sua rotina e espera que aumentar a conscientização ajude a diagnosticar outros pacientes mais cedo.

Fonte da matéria: metropoles.com