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Toque no play para começarFonte: Prédio da Suprema Corte dos Estados Unidos, onde os juízes derrubaram as amplas tarifas do presidente Donald Trump, em Washington, EUA – 20/02/2026 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)
O governo dos Estados Unidos passou a cobrar hoje uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, medida justificada pela administração americana com a alegação de que o Brasil não combate adequadamente práticas de trabalho forçado em setores produtivos. A sobretaxa incide também sobre outras 59 economias, totalizando 60 países investigados pelo Escritório do Representante Comercial (USTR).
Essa nova tarifa se soma aos 25% que entraram em vigor no último dia 22, resultado de outra investigação aberta especificamente sobre o Brasil em julho do ano passado com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. As duas medidas derivam de apurações distintas: uma sobre práticas comerciais consideradas desleais e outra focada em trabalho forçado.
A investigação que originou a sobretaxa de 12,5% abrange 60 países e, no caso do Brasil, concentra-se em cinco produtos — alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco — cujas importações entre 2021 e 2025 teriam sido afetadas por práticas laborais questionáveis. Para o governo americano, essas importações mais baratas representam concorrência desleal para o mercado dos EUA.
Na rodada anunciada agora, o Brasil e outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%. Em paralelo, o Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão tiveram propostas de tarifas de 10% sobre seus produtos. Ao todo, o USTR investigou 60 economias sob a acusação relacionada ao trabalho forçado.
Há ainda uma lista extensa de isenções nas medidas que pesam sobre o Brasil: mais de 2.100 itens ficaram fora da taxa de 25%, incluindo carne bovina, suco de laranja, componentes para aeronaves, açaí e água de coco.
O pacote de tarifas integra a política comercial do governo Trump, voltada a reduzir déficits comerciais, reindustrializar a economia americana, recuperar empregos fabrís e atrair investimentos. Na prática, as sobretaxas encarecem produtos brasileiros para compradores nos EUA, desestimulando a importação.
O caminho até a atual combinação de medidas foi marcado por variações nas alíquotas: em abril de 2025 foi imposta uma taxa global de 10% com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA); em julho houve aplicação de até 40% sobre produtos do Brasil, com lista de isenções; após encontro entre os presidentes em novembro, o governo americano retirou a sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas; em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou a tarifa global de 10%; e o presidente instituiu então uma tarifa temporária de 10% amparada na Seção 122 da Lei de Comércio, medida que não pode permanecer por mais de 150 dias sem aprovação do Congresso e cuja vigência expiraria nesta sexta-feira.
Para substituir a solução provisória, o governo americano abriu novas investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio, incluindo a que resultou na tarifa de 12,5% por trabalho forçado. No Brasil, associações do setor defendem ampliação da diplomacia e negociações para tentar reverter ou mitigar as sobretaxas impostas pelos EUA.
Fonte da matéria: infomoney.com.br


