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Amônia e hipoclorito em produtos de limpeza representam risco de intoxicação para pets

Amônia e hipoclorito em produtos de limpeza representam risco de intoxicação para pets

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Fonte: Divulgação/Governo de SP

Produtos de limpeza que contêm amônia e hipoclorito podem ser perigosos para cães e gatos. O contato com essas substâncias tem potencial para provocar alergias, queimaduras, comprometimento respiratório e, em casos mais graves, intoxicação fatal.

Especialistas consultados pelo Metrópoles recomendam optar por itens com ingredientes menos tóxicos, mas lembram que nenhum produto, mesmo rotulado como “pet friendly”, “natural” ou “biodegradável”, é isento de risco. Maria Inez Auad Moutinho, conselheira federal e coordenadora do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos (CAIQ) do Conselho Federal de Química (CFQ), ressalta que a segurança depende da concentração, da dose, da forma de aplicação, do tempo de contato, da ventilação, da necessidade de enxágue e da possibilidade do animal caminhar sobre a superfície ainda úmida e depois lamber as patas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contraindica a mistura de produtos de limpeza. Reações conhecidas incluem a liberação de gás cloro quando o hipoclorito é combinado com ácidos, e a formação de cloraminas quando o hipoclorito é misturado com amônia. Diferentes desinfetantes também podem reagir entre si, perder eficácia ou gerar vapores irritantes. A orientação prática é usar um produto por vez e seguir rigorosamente as instruções do rótulo.

O médico veterinário Fernando Resende, professor do Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos (Uniceplac), em Brasília, alerta que confiar apenas no nome comercial ou na palavra “desinfetante” pode induzir a erro. Manter o rótulo na embalagem original é importante para identificar o princípio ativo e orientar o atendimento veterinário em caso de intoxicação.

Animais podem ser expostos por ingestão, inalação de vapores ou contato com pele, olhos e mucosas. Um mecanismo frequente de intoxicação ocorre quando o pet anda sobre o piso ainda molhado e depois lambe as patas. Erros que aumentam o risco incluem usar concentrações maiores do que as recomendadas, aplicar produtos na presença do animal, permitir o retorno antes da secagem completa, deixar baldes com solução descobertos e armazenar produtos ao alcance de cães e gatos.

A médica veterinária Rafaela Barbosa, do Centro Universitário de Brasília (Ceub), alerta contra o mito de que odor intenso ou maior quantidade de produto garantem limpeza superior. Pelo contrário: para os animais, isso eleva a chance de intoxicação.

Entre os sinais de exposição estão salivação excessiva, vômitos, tremores, dificuldade respiratória, apatia e irritação ocular ou cutânea. Diante de suspeita de intoxicação, a recomendação é não induzir vômito e não oferecer leite ou outros alimentos como tratamento caseiro. Buscar atendimento veterinário imediatamente é a conduta mais segura, pois o tratamento precoce melhora as chances de recuperação.

Fonte da matéria: metropoles.com