Escutar notícia com IA
Toque no play para começarFonte: Unsplash
Pesquisadores chineses anunciaram o desenvolvimento de um plástico “vivo” que incorpora microrganismos dormentes capazes de degradar o material sem gerar microplásticos. Em testes preliminares publicados na revista ACS Applied Polymer Materials, a invenção chegou a se autodegradar em seis dias sem produzir fragmentos menores.
Especialistas ouvidos destacam que o resultado é promissor, mas ainda insuficiente para resolver a poluição por microplásticos. A professora Juliana Brito, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ressalta que a degradação observada ocorreu em ambiente controlado e que não se pode presumir que o mesmo processo aconteça rapidamente quando o material for descartado no ambiente natural.
O pesquisador Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e vice‑presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) na Região Norte, afirma que toda tecnologia que reduza microplásticos é bem‑vinda, mas que é pouco realista esperar que uma única solução tecnológica substitua amplamente os plásticos convencionais no curto prazo. Val coordenou o relatório “Microplásticos: um problema complexo e urgente”, lançado pela ABC em 2025.
Além das limitações experimentais, os especialistas lembram que a maior parte dos resultados até agora vem de produção em pequena escala, o que indica necessidade de avanço científico, tecnológico e regulatório antes de uma adoção ampla. Também se aponta que padrões de consumo e descarte influenciam diretamente a presença de microplásticos no meio ambiente.
O professor Alexander Turra, da Universidade de São Paulo (USP), reforça que, mesmo com melhorias nos materiais, o uso e o descarte corretos continuam essenciais para reduzir a emissão de microplásticos. Para Turra, plásticos biodegradáveis podem compor a solução, desde que empregados de forma racional e nos contextos adequados.
Enquanto o plástico “vivo” não avança para produção em larga escala e regulamentação, especialistas concluem que a melhor medida disponível segue sendo o uso responsável de produtos plásticos e o descarte adequado, evitando o lançamento de resíduos na natureza.
Fonte da matéria: metropoles.com


