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O promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP), afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixou de ser uma organização regional e passou a operar como uma máfia com presença consolidada na Europa. O alerta foi feito durante a “Conferência de Consenso”, realizada nesta quinta‑feira (23), que reuniu autoridades judiciais e de segurança do Brasil e da Itália.
Gakiya declarou que a facção paulista replicou no exterior o mesmo modelo hierárquico e organizacional usado no Brasil, estabelecendo parcerias locais e promovendo a iniciação de novos integrantes, internamente chamados de “irmãos”. Segundo ele, esse padrão confirma o caráter mafioso do grupo.
Estudos de inteligência apresentados no encontro apontam que o PCC atua em 28 países e é responsável por cerca de 90% da cocaína enviada à Europa por via marítima. Também foi indicado que, no Brasil, aproximadamente 33% do território sofre algum grau de domínio por organizações criminosas.
O promotor observou ainda que o Comando Vermelho (CV) se enquadra tecnicamente como organização mafiosa, em razão de sua expansão internacional, sofisticação financeira e tentativas de infiltração em estruturas públicas.
A presença do PCC na Europa motivou o fortalecimento da troca de informações de inteligência e dados financeiros entre o MPSP e a Procuradoria Nacional da Itália. Autoridades informaram que investigações conjuntas estão em curso, com operações previstas tanto na Itália quanto no Brasil.
O procurador‑geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou que o atual nível de sofisticação do crime organizado representa uma ameaça às instituições democráticas e que o enquadramento dessas facções como mafi as decorre de sua atuação internacional e poder econômico.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, defendeu uma resposta estatal integrada, ressaltando a necessidade de trabalho em rede entre órgãos de segurança. Representando o governo italiano, o assessor jurídico Giovanni Tartaglia descreveu o fenômeno como parte de uma “geopolítica criminal global”, com grupos buscando infiltração na economia formal e na política. O ex‑ministro do STF Francisco Rezek também participou do debate, destacando a importância do combate articulado entre nações.
Fonte da matéria: itatiaia.com.br


