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Toque no play para começarFonte: Reprodução
O YouTube detalhou em 21/07/2026 alterações nas regras do Programa de Parcerias (YPP) para tornar mais claro quando vídeos feitos com auxílio de inteligência artificial serão considerados inautênticos e perderão acesso à monetização.
A empresa não proibiu o uso de IA, mas passou a exigir sinais mais evidentes de originalidade e contribuição humana. Canais que publiquem narrações geradas por IA sem comentários próprios, compilações de terceiros com poucas alterações ou vídeos que sigam modelos praticamente idênticos podem ser desmonetizados.
As mudanças miram formatos conhecidos como “AI slop” e “brainrot”, que usam automação para produzir grandes volumes de conteúdo sem participação criativa humana. O objetivo declarado pelo YouTube é evitar que a produção em massa de vídeos genéricos prejudique a experiência do usuário e reduza a confiança dos anunciantes.
Um estudo da Kapwing citado pela empresa indicou que entre 21% e 33% dos vídeos exibidos para contas novas na plataforma podem cair nas categorias “AI slop” ou “brainrot”. Nos Shorts, esse tipo de conteúdo representou cerca de 33% dos primeiros 500 vídeos vistos por uma conta nova.
Pesquisas apontam canais que obtiveram receita significativa com esse modelo. A Kapwing estimou que o canal indiano Bandar Apna Dost, com vídeos gerados por IA envolvendo macacos e humanos, teria receita anual de US$ 4,25 milhões. O canal sul-coreano Three Minutes Wisdom, que publica vídeos com animais selvagens em situações fictícias, teria receita próxima de US$ 4 milhões por ano.
A análise também identificou padrões geográficos e de audiência: a Espanha aparece entre os países com maior número de inscritos em canais de “slop”, impulsionada por páginas como Imperio de Jesus, que publica quizzes; a Coreia do Sul lidera em volume de visualizações com mais de 8,45 bilhões de acessos ao tipo de conteúdo. O maior canal de “slop” em inscritos é Cuentos Facinantes, com cerca de 5,95 milhões de inscritos.
O YouTube enumerou categorias de preocupação: canais que usam automação para publicar centenas ou milhares de vídeos muito semelhantes (“content farming”); conteúdos que exploram situações perturbadoras para atrair cliques, como falsos resgates de animais ou cenas que colocam crianças em tensão; e avatares ou personagens de IA que abordam temas de alto risco, classificados como YMYL (Your Money Your Life).
Em relação a temas YMYL, a plataforma anunciou redução de incentivos financeiros para vídeos em que personas de IA ofereçam orientações sobre saúde, direito ou investimentos, áreas nas quais informações incorretas podem causar danos.
Se um canal perder a monetização por descumprir as regras, o criador terá 21 dias para recorrer. Caso a penalidade seja mantida, será possível solicitar novo ingresso no Programa de Parcerias após 90 dias, desde que os vídeos problemáticos sejam removidos e o conteúdo ajustado.
O YouTube ressaltou que ferramentas de IA continuam aceitas como auxílio, desde que haja contribuição humana clara. Ao mesmo tempo, o Google segue promovendo soluções de criação assistidas por IA, como o Veo 3, que gera vídeos e áudios a partir de comandos de texto — tecnologia que pode tanto ajudar criadores quanto facilitar a produção de conteúdos repetitivos que a plataforma busca coibir.
Fonte da matéria: canaltech.com.br


