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Tarifa adicional de 25% dos EUA pressiona caixa da indústria e ameaça exportações do agro

Tarifa adicional de 25% dos EUA pressiona caixa da indústria e ameaça exportações do agro

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Fonte: Porto de Paranaguá (Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná)

A nova sobretaxa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros passa a vigorar a partir desta quarta‑feira (22) e inaugura uma fase de ajuste para empresas exportadoras. Especialistas ouvidos afirmam que o impacto inicial será sentido no fluxo de caixa, na compressão de margens e na competitividade dos embarques, mais do que no Produto Interno Bruto.

Jackson Campos, especialista em comércio exterior, destaca que o principal problema é o prazo curto para adaptação: é preciso reavaliar o enquadramento de itens, renegociar contratos já fechados e decidir preços e estoques em meio a regras que vêm mudando desde o chamado Dia da Libertação, em abril de 2025.

Setores de maior valor agregado e indústrias como calçados, móveis, papel e celulose, máquinas e equipamentos e etanol estão entre os mais vulneráveis, diz André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital. Na prática, muitos exportadores têm antecipado embarques, dividido custos com importadores, reduzido margens ou buscado destinos alternativos, mas esses ajustes são difíceis para quem depende fortemente do mercado americano.

O agronegócio também acende sinal de alerta: André Matos, da Pilar Capital, estima risco de até R$ 4,6 bilhões por ano, equivalente a mais de um terço das vendas do setor aos EUA. O efeito imediato, segundo analistas, combina perda de competitividade, redução de encomendas e pressão sobre o emprego em segmentos intensivos em mão de obra.

Em termos macroeconômicos, Caruso avalia que o impacto direto no PIB deve ser limitado, abaixo de 0,1 ponto percentual, porque o fluxo de mercadorias diretamente afetado é estimado em US$ 5,8 bilhões e itens como café e componentes aeronáuticos foram poupados. Frigoríficos também tiveram proteção relativa com a exclusão da carne bovina.

Mesmo assim, os custos indiretos podem elevar o prejuízo acima dos valores diretos: a queda nas exportações tende a encadear efeitos sobre fornecedores, fretes e cadeias produtivas e a aumentar a insegurança que trava investimentos, alerta André Matos.

Analistas recomendam que empresas não apostem na retirada rápida da tarifa e trabalhem com cenários diversos. Jackson Campos sugere incluir cláusulas de revisão tarifária em contratos, negociar previamente quem absorverá custos, proteger posições cambiais, preservar liquidez e diversificar clientes e destinos. Também é recomendada atuação junto a importadores americanos para buscar exceções quando a sobretaxa encarecer insumos.

Como alternativa de mercado, Felipe Teixeira, fundador da Ningbo BR Goods, aponta a China como destino possível, sobretudo para produtos alimentícios em que o Brasil já tem reconhecimento, como grãos, sucos, frutas e café, embora a realocação de exportações para aquele mercado demande projeto de médio a longo prazo.

O enquadramento do Brasil na tarifa média mais alta aplicada pelos EUA foi classificado por Matos como “atípico” e de caráter “político”, em razão de investigações sobre temas como comércio digital e políticas ambientais. O governo federal avalia acionar a Lei de Reciprocidade, que permitiria retaliações com sobretaxas equivalentes; o vice‑presidente Geraldo Alckmin declarou que “não se busca um embate de ‘olho por olho’, mas as ferramentas poderão ser usadas ‘no momento adequado’”.

Representantes do setor produtivo, incluindo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), manifestam cautela e temem que medidas de retaliação agravem a situação. Para os especialistas consultados, o desfecho da disputa — acordo rápido ou escalada protecionista — definirá se os efeitos se limitarão a segmentos específicos ou se alcançarão câmbio, investimentos e confiança na economia brasileira.

Fonte da matéria: infomoney.com.br