Escutar notícia com IA
Toque no play para começarFonte: AFP
Daniel Siad, de 69 anos, foi encontrado morto na segunda-feira (20) em sua casa em Colombes, nos arredores de Paris, informou a Promotoria de Nanterre, que abriu investigação para apurar as circunstâncias do óbito.
Siad estava sob investigação por supostamente recrutar mulheres para o financista Jeffrey Epstein e enfrentava diversas acusações, principalmente por estupro. Ele negava as alegações e dizia ter a intenção de depor para apresentar sua versão dos fatos.
A advogada de Siad, Menya Arab-Tigrine, declarou à AFP que o cliente vivia sob forte pressão desde o início das investigações e que, se a morte se dever a um ataque cardíaco, o desgaste emocional poderia ter influenciado o desfecho.
A primeira denúncia contra Siad foi registrada em fevereiro pela ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson, que afirmou tê-lo reconhecido nos arquivos desclassificados da investigação sobre Jeffrey Epstein, nos quais o nome do francês aparece em mais de mil documentos. Karlsson acusa Siad de tê-la estuprado quando tinha 20 anos e de a ter apresentado a Gérald Marie, ex-diretor da agência Elite, também alvo de acusações — ambos negam as denúncias.
Após a confirmação da morte, a Procuradoria de Paris informou que o processo criminal contra Siad foi extinto. Ao mesmo tempo, prosseguem as investigações relacionadas a suspeitas de tráfico de pessoas em organização criminosa e de associação para crimes vinculados a Jeffrey Epstein, que mantinha um apartamento em Paris.
A morte de Siad ocorre em um contexto que inclui outras mortes de pessoas próximas a Epstein: o próprio Epstein foi encontrado morto em 2019 nos Estados Unidos enquanto aguardava julgamento por exploração sexual de menores, e o agente de modelos Jean-Luc Brunel, acusado de agressões sexuais, morreu por suicídio em prisão francesa em 2022.
A divulgação de milhares de documentos sobre Epstein nos EUA levou o Ministério Público de Paris a abrir, no início de 2026, uma investigação ampla sobre possíveis ramificações do esquema na França. Investigadores e denunciantes consideravam Daniel Siad uma peça importante para esclarecer a atuação da rede e identificar outros envolvidos.
Fonte da matéria: itatiaia.com.br


