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Toque no play para começarFonte: Esplanada dos Ministérios (Ana Volpe/Agência Senado)
A previsão de um “abismo fiscal” em 2027, com gastos públicos superando a arrecadação e levando as contas ao vermelho, é considerada exagerada pela equipe econômica do Itaú. O economista Pedro Schneider avalia que o impulso fiscal não deve ficar negativo no próximo ano, porque gastos extraordinários que pressionaram o orçamento recentemente não devem se repetir.
Ao mesmo tempo, Schneider ressalta que a situação financeira do país no médio prazo requer atenção e reformas. Nos quatro últimos anos, as despesas do governo cresceram cerca de 5% em termos reais, acima do teto de 2,5% previsto pelo arcabouço fiscal.
Para entender a evolução das contas públicas, o economista destaca a origem dos aumentos de gasto e das reduções tributárias. Segundo ele, as rubricas mais sensíveis à economia são as transferências diretas às famílias — que incluem programas como Bolsa Família, Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o abono salarial — e que correspondem a cerca de metade dos gastos do governo federal.
Schneider explica que o crescimento vegetativo de beneficiários adiciona em torno de 2% a 2,5% ao custo dessas despesas. Somando-se a isso a regra de valorização do salário mínimo, que prevê ganho real de 2,5%, o avanço anual das despesas chega ao patamar de aproximadamente 5%.
Apesar do forte avanço estrutural dessas despesas obrigatórias, o banco rejeita a ideia de uma catástrofe fiscal no curto prazo. Segundo o economista, algumas medidas tomadas neste ano, com menor elasticidade orçamentária — como subsídios a combustíveis e determinados gastos com o funcionalismo — não estarão presentes no orçamento do ano seguinte, o que reduz o risco imediato de desequilíbrio.
O diagnóstico do Itaú aponta, porém, que para evitar que esse impulso fiscal se reflita em elevação dos juros serão inevitáveis debates sobre medidas politicamente sensíveis, como a desvinculação de pisos constitucionais, a adequação da regra do salário mínimo à realidade fiscal e eventuais ajustes na Previdência.
Fonte da matéria: infomoney.com.br


