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Toque no play para começarFonte: Magnific
Em 1964 o astrofísico soviético Nikolai Kardashev propôs que o nível de desenvolvimento de uma civilização poderia ser avaliado pela quantidade de energia que ela consegue aproveitar. A Escala de Kardashev surgiu para orientar a busca por sinais de vida inteligente fora da Terra e permanece como referência em pesquisas sobre o tema.
A escala original divide as civilizações em três tipos. Uma civilização Tipo I seria capaz de aproveitar praticamente toda a energia disponível no próprio planeta, incluindo solar, eólica, das marés e outros fenômenos naturais. No Tipo II, a civilização utilizaria quase toda a energia de sua estrela; para ilustrar essa ideia cientistas descrevem, no campo teórico, estruturas gigantes que captariam a maior parte da energia estelar. O Tipo III refere-se ao uso de energia de nível galáctico, ou seja, de centenas de bilhões de estrelas.
O objetivo inicial da proposta, segundo o pesquisador Eberth Correa, doutor em Física e professor da Universidade de Brasília (UnB), era orientar que tipos de sinais de rádio procurar na busca por civilizações extraterrestres.
A escala voltou a ganhar atenção recentemente após matérias relacionarem, de forma conceitual, planos de longo prazo de Elon Musk para expansão humana no espaço a um cenário próximo ao Tipo II. A comparação, porém, é apenas ilustrativa.
Apesar dos avanços tecnológicos, a humanidade ainda não alcançou o primeiro nível da escala. O pesquisador Washington Barbosa Silva, doutor em Física Atômica e Molecular, compara a diferença entre os tipos à capacidade de mobilizar recursos: a escala reflete quanto uma sociedade consegue aproveitar e controlar de energia, em escalas muito superiores às atuais.
Segundo Correa, obstáculos para o avanço rumo ao Tipo I incluem a dependência de combustíveis fósseis, a ausência de tecnologia de armazenamento em escala global e o risco de autodestruição por conflitos geopolíticos antes de dominar toda a energia do planeta.
A Escala de Kardashev segue sendo usada em campos como a astrobiologia e em projetos como o SETI. Ao mesmo tempo, pesquisadores apontam limitações: a classificação avalia apenas a quantidade de energia consumida, não a eficiência tecnológica. Uma civilização muito avançada poderia reduzir seu consumo por meio de tecnologias mais eficientes, tornando-se mais difícil de detectar.
Essa possibilidade ajuda a explicar, na visão de Silva, por que ainda não encontramos sinais claros de outras civilizações: grupos no nível Tipo III podem já ter se autodestruído ou se tornado indetectáveis, de modo que o “silêncio” observado pode significar apenas que estamos procurando o sinal errado.
Fonte da matéria: metropoles.com


