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Arquivos históricos e tecnologia orientam localização de naufrágios

Arquivos históricos e tecnologia orientam localização de naufrágios

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Fonte: Unsplash

Localizar um naufrágio exige a integração de pesquisas históricas com tecnologia avançada. Mesmo após décadas no fundo do mar, os destroços podem oferecer informações sobre a época em que a embarcação navegou, mas encontrá-los em mares e oceanos é complexo.

O processo costuma começar pela busca bibliográfica em registros, documentos, bancos de dados e sites especializados. No Brasil, um exemplo citado é o site Naufrágios do Brasil, organizado pelo mergulhador Maurício Carvalho. Pesquisadores também consultam a base de dados da Marinha, que reúne informações sobre embarcações afundadas, pois todo naufrágio deve ser comunicado ao órgão, além de plataformas internacionais com registros de diversas regiões, segundo o oceanógrafo Ewerton Wegner, coordenador do laboratório de mergulho científico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina.

Depoimentos de testemunhas que presenciaram acidentes podem ajudar a orientar as buscas iniciais. Quando um alvo é identificado, a etapa seguinte depende das condições do local: em áreas rasas, mergulhadores podem confirmar a presença dos destroços conforme temperatura e visibilidade; em locais mais profundos recorrem-se a equipamentos e métodos geofísicos adequados à pressão e às dificuldades da água profunda.

Historicamente, muitas expedições foram motivadas por interesses econômicos — embarcações que transportavam ouro, prata ou joias atraíram buscas —, mas especialistas ouvidos pelo Metrópoles ressaltam que o valor de um naufrágio se estende à arqueologia e à história. “O valor de um naufrágio vai muito além do aspecto financeiro. Para a arqueologia, essas embarcações representam uma oportunidade de compreender a história, os modos de vida, as relações comerciais e as tecnologias de diferentes épocas”, afirma Wegner.

Segundo o pesquisador, a riqueza de informações culturais e científicas recuperáveis justifica o investimento nas buscas, já que um naufrágio não deve ser visto apenas como um monte de destroços.

As técnicas empregadas nas buscas também têm aplicação em outras frentes de investigação. A oceanógrafa Raquel Avelina, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) apoiada pelo Instituto Serrapilheira, lembra que métodos geofísicos usados em busca de naufrágios auxiliaram na localização da caixa-preta do acidente da Air France em 2009.

Apesar da importância histórica e científica, as expedições são relativamente raras devido ao custo e à logística envolvida. “Colocar um navio no mar é muito caro, uma logística bastante complexa de material e pessoal. Uma busca pode levar muito tempo para ser concluída e, em grandes profundidades, as condições são mais desafiadoras, pois são necessários equipamentos capazes de operar em condições de alta pressão. Para os métodos indiretos, é necessário que os aparelhos consigam captar sinais em águas profundas”, ressalta Raquel Avelina.

Fonte da matéria: metropoles.com