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Dia de festa, noite de terror: 43 anos da tragédia que fez rua de Pojuca virar fogo

Dia de festa, noite de terror: 43 anos da tragédia que fez rua de Pojuca virar fogo

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Fonte: Reprodução

Pojuca, cidade da Bahia conhecida desde o século XVI por sua fertilidade e, a partir dos anos 1950, pela exploração petrolífera, sofreu uma das maiores tragédias ferroviárias do país em 31 de agosto de 1983.

Na manhã daquela quarta-feira, por volta das 7h30, uma composição da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) com uma locomotiva e 22 vagões-tanque descarrilou na Rua da Piedade, no bairro Cruzeiro. Cinco vagões transportavam gasolina e 17 transportavam óleo diesel, totalizando 135 mil litros de combustível.

Vagões com vazamento atraíram centenas de moradores, que coletaram a gasolina em panelas, baldes e galões para uso ou venda. Reportagens da época e o livro Pojuca: O Arraial da Passagem, do professor João Batista, registram que a multidão incluía crianças e adolescentes e que a retirada do combustível chegou a ser comercializada na cidade.

As condições precárias da linha — dormentes apodrecidos, parafusos soltos e peças enferrujadas — foram apontadas pela imprensa como fatores que antecederam o acidente. Tentativas de isolar a área foram feitas apenas no fim da manhã, com poucos efetivos; um destacamento de 10 soldados não conteve as quase duas mil pessoas que se aglomeraram no local.

Cerca de treze horas após o descarrilamento, por volta das 20h30, um incêndio de grandes proporções se alastrou pela Rua da Piedade, atingindo residências e moradores que ainda estavam no entorno dos vagões. A rapidez das chamas provocou mortes por carbonização e ferimentos graves em pessoas que tentaram fugir.

Relatos da época informaram que ao menos 34 pessoas morreram carbonizadas, e o episódio acabou registrado como a quinta maior tragédia ferroviária do Brasil e a maior da Bahia. Naquele dia viviam na cidade cerca de 10 mil habitantes; hoje Pojuca tem mais de 32 mil moradores.

O acidente deixou marcas permanentes na comunidade. Entre os sobreviventes, o professor e advogado Laudemilson Cardoso Araújo, então com 18 anos, recorda até hoje a noite em que uma rua da cidade pegou fogo.

Fonte da matéria: atarde.com.br