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Sintomas comuns atrasaram diagnóstico de meningite meningocócica em criança

Sintomas comuns atrasaram diagnóstico de meningite meningocócica em criança

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Fonte: Arquivo pessoal

Em julho de 2023, a menina Maya Victoria Cristina Silva, então com 1 ano e 6 meses, foi diagnosticada com meningite meningocócica do sorogrupo B após início de quadro febril que a mãe, Larissa Oliveira da Silva, de 28 anos, acreditou ser virose.

Nos primeiros sintomas — febre, vômito e irritabilidade — Larissa tentou tratar a filha em casa. Na madrugada, a criança ficou muito sonolenta, não respondia aos chamados e não se sustentava sentada. Por volta das 6h ela passou a convulsionar, o que levou à busca por atendimento médico. Exames confirmaram meningite meningocócica.

A pediatra e sanitarista Melissa Palmieri, membro do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, explica que os sinais iniciais da doença costumam se confundir com gripes ou viroses nas primeiras 6 a 12 horas, o que dificulta a identificação precoce e o início imediato da antibioticoterapia — fator determinante entre a vida e a morte.

Causada pela bactéria Neisseria meningitidis, a meningite meningocócica tem evolução rápida e pode levar ao óbito em menos de 24 horas após o início dos sintomas. Mesmo com tratamento hospitalar adequado, a taxa de letalidade varia entre 10% e 20% e cerca de um em cada cinco sobreviventes fica com sequelas graves e permanentes, como surdez, lesões cerebrais ou amputações.

Após o diagnóstico, Maya foi transferida para um hospital com estrutura maior, onde ficou cerca de três meses em unidade de terapia intensiva. Durante a internação teve convulsões, duas paradas cardíacas, insuficiência renal e precisou ser submetida a cirurgia cardíaca. A criança recebeu alta em outubro de 2023.

Hoje, aos quatro anos, Maya apresenta sequelas importantes: perda de visão, dificuldades na fala, na locomoção e na alimentação. Ela realiza tratamentos intensivos de reabilitação e já evoluiu em alguns aspectos — alimenta-se sem sonda gástrica e interage —, mas ainda não voltou a andar nem a falar.

Melissa Palmieri ressalta que a vacinação é a principal medida de prevenção. No Sistema Único de Saúde (SUS) estão disponíveis as vacinas meningocócica C, para bebês, e ACWY, para adolescentes de 11 a 14 anos. A vacina contra o sorogrupo B só é oferecida na rede privada, o que tem sido apontado como fator no aumento de casos por essa variação.

Para a família, a recuperação tem sido lenta e desafiadora, mas Larissa afirma manter esperança na evolução da filha e valoriza o fato de Maya estar viva após o episódio grave.

Fonte da matéria: metropoles.com