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Leilão da BR-116 prevê R$ 7,2 bilhões em obras e deve impulsionar economia, diz FGV

Leilão da BR-116 prevê R$ 7,2 bilhões em obras e deve impulsionar economia, diz FGV

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Fonte: Rodovia Régis Bittencourt (Foto: Divulgação/ANTT)

O leilão da nova concessão da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), marcado para quinta-feira (23), colocará em disputa três grupos interessados em executar um plano de investimentos de R$ 7,2 bilhões para o trecho de 400 quilômetros entre São Paulo e Curitiba.

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE/FGV) estima que cada R$ 1 milhão aplicado em obras rodoviárias gera cerca de 24 postos de trabalho, injeta R$ 2,47 milhões na produção e cria R$ 1,10 milhão em valor adicionado bruto (VAB).

A disputa envolve a Arteris, que busca renovar o contrato em vigor, a joint venture EPR e a Motiva (MOTV3). Relatório do Bradesco BBI aponta que a concessão pode oferecer uma taxa interna de retorno real de até 20%, citando como atrativos um desconto tarifário superior a 17%, volume de tráfego atual acima das premissas do governo e a possibilidade de alavancar cerca de 60% da necessidade de caixa nos primeiros cinco anos.

O mesmo relatório alerta, porém, para riscos relevantes: menor visibilidade sobre ativos e passivos acumulados pela gestão atual, prazo de contrato mais curto que projetos greenfield e exigência de investimentos intensos já nos primeiros anos de transição, o que demanda robustez financeira da vencedora.

No caso da Motiva, o Bank of America projeta impacto financeiro inicialmente neutro, estimando um Valor Presente Líquido (VPL) em torno de R$ 200 milhões — aproximadamente R$ 0,10 por ação — e ressalta que criação de valor adicional dependeria de ganhos operacionais não previstos no modelo oficial. Apesar disso, o banco manteve recomendação de compra para as ações da empresa, citando múltiplos atrativos na Bolsa.

O estudo do IBRE, assinado por Tulio Bastos Barbosa, Isadora Osterno e Christiano Modesto Penna, também mostra que, com a rodovia em operação, o setor de transporte apresenta multiplicadores ainda mais fortes: o multiplicador de produção chega a 2,98, ou seja, cada R$ 1 milhão em demanda mobiliza quase R$ 3 milhões na economia do Paraná, e o índice de VAB alcança 1,24.

Os pesquisadores observam que esses resultados são conservadores, porque a análise considera apenas uma matriz regional restrita ao Paraná; se incluída a retroalimentação inter-regional, o impacto sobre emprego e produção tenderia a se aproximar de níveis nacionais.

Além do efeito sobre emprego e produção, a FGV destaca que os R$ 7,2 bilhões previstos podem contribuir para mitigar parte do chamado “Custo Brasil” — ao reduzir tempo de deslocamento, perdas e custos logísticos — favorecendo setores com alta dependência logística, como agropecuária, agroindústria e comércio atacadista, e melhorando a competitividade das exportações e a atratividade para investimentos privados.

Por fim, a pesquisa ressalta desdobramentos sociais: estradas com melhor trafegabilidade encurtam trajetos, facilitam o acesso a serviços de saúde, educação e segurança e promovem inclusão de comunidades isoladas em áreas rurais e periferias urbanas.

Fonte da matéria: infomoney.com.br