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A carteira total de crédito no Brasil avançou 0,8% em junho, e a variação em 12 meses acelerou de 9,5% para 9,8%, segundo a Pesquisa Especial de Crédito da Febraban. A pesquisa, feita com dados consolidados dos principais bancos, é divulgada como prévia da Nota de Crédito do Banco Central, prevista para 30 de julho.
O crescimento foi puxado pelas operações destinadas a empresas, cuja carteira cresceu 1,5% no mês e acelerou de 6,8% para 7,7% em 12 meses. A alta mensal foi influenciada pela carteira com recursos livres, que subiu 1,7%, em parte por efeito sazonal de fim de trimestre nas linhas de recebíveis.
Em 12 meses, a linha de recursos livres para empresas passou da estabilidade para alta de 1,9%, impactada por uma elevação da alíquota do IOF em junho de 2025, que penalizou especialmente desconto de recebíveis; a alíquota foi posteriormente revertida, diz a Febraban. As operações com recursos direcionados às empresas cresceram 1,2% no mês, favorecidas por programas governamentais e novos aportes (FGI‑PEAC), mantendo expansão anual mais forte entre as aberturas, embora tenha havido leve desaceleração de 18,2% para 17,4%.
No segmento de pessoas físicas, a carteira avançou 0,4% em junho, com uma leve moderação na taxa anual (11,0% ante 11,2%). O avanço mensal foi liderado por recursos direcionados (+0,7%), sobretudo pelo crédito imobiliário, beneficiado pelas novas regras do programa Minha Casa Minha Vida. As linhas com recursos livres cresceram 0,2%, com acomodação nas modalidades de maior risco, em função do potencial efeito do novo Desenrola.
Em 12 meses, as aberturas de crédito para pessoas físicas ficaram em patamares próximos: Pessoa Física com recursos livres em 11,3% (ante 11,7%) e Pessoa Física direcionada em 10,7% (ante 10,5%).
As concessões de crédito devem ter crescido 5,8% em junho (0,7% ajustado por dias úteis). Na comparação anual por dias úteis, o incremento ficou em 9,1%. As concessões empresariais puxam o resultado anual (+17,0%), especialmente nas linhas com recursos livres, devido ao efeito de base nas operações de desconto de recebíveis.
Entre as famílias, as concessões registraram alta mais contida (+2,5%), com recuo nas linhas livres, em especial no cartão à vista, o que indica alguma acomodação do consumo. As concessões imobiliárias com recursos direcionados, por sua vez, tiveram crescimento relevante.
No acumulado de 12 meses, o ritmo de crescimento das concessões totais voltou a acelerar, subindo de 8,3% para 8,8%, influenciado pelo maior dinamismo da carteira de pessoas jurídicas (+9,0% ante +7,4%), enquanto a carteira de pessoas físicas apresentou leve desaceleração (+8,7% ante +9,0%).
Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, ressalta que o ritmo de expansão do crédito permanece elevado apesar da política monetária restritiva, com destaque recente para o imobiliário entre as famílias e acomodação nas linhas de maior risco.
Fonte da matéria: infomoney.com.br


