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Toque no play para começarFonte: Imagem ilustrativa. • Reprodução | Pexels
A ONU Mulheres e o Unicef publicaram o guia “No Mesmo Time: Guia de Conversa para Pais e Responsáveis” para apoiar famílias no reconhecimento e no enfrentamento da influência da chamada machosfera entre crianças e adolescentes.
O material descreve como essas comunidades virtuais funcionam, os riscos associados à radicalização de meninos e jovens e traz orientações práticas para promover conversas em casa sobre igualdade de gênero, respeito e pensamento crítico em relação aos conteúdos consumidos nas redes sociais.
Segundo a publicação, adolescentes frequentemente chegam às comunidades da machosfera por meio de algoritmos das plataformas, a partir de vídeos que aparentam ser inofensivos — sobre motivação, autoestima ou desenvolvimento pessoal — e são, então, direcionados a conteúdos mais radicais.
O guia lista os principais termos usados por esses grupos, aponta sinais de alerta em mudanças de comportamento e de linguagem, sugere perguntas adaptadas a diferentes faixas etárias e indica formas de apoiar meninas expostas a discursos misóginos e meninos sob influência desse tipo de conteúdo.
A machosfera é descrita como um conjunto de comunidades online que promovem uma visão extrema de masculinidade e frequentemente difundem mensagens misóginas, antifeministas e contrárias à igualdade de gênero, defendendo que os homens teriam perdido espaço na sociedade.
Para a ONU Mulheres, esses ambientes reforçam uma definição restrita do que seria “ser homem”, vinculando o valor masculino a poder, controle emocional, riqueza, aparência física e, sobretudo, domínio sobre as mulheres. A organização alerta que a circulação desses conteúdos pode contribuir para a normalização do discurso de ódio, da violência de gênero e da discriminação, especialmente entre adolescentes muito conectados.
O lançamento ocorre em meio a estudos e levantamentos que apontam aumento da exposição de adolescentes a mensagens misóginas nas plataformas digitais. Um levantamento da Revista AzMina em parceria com o Núcleo Jornalismo, citado pela ONU, identificou o caminho gradual que leva jovens de vídeos de autoajuda a conteúdos mais radicais. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública também indicam que a violência contra as mulheres segue em níveis elevados no Brasil, com milhares de casos de feminicídio, estupro, violência doméstica e perseguição registrados nos últimos anos.
O objetivo do guia é incentivar o diálogo nas famílias antes que processos de radicalização se aprofundem e reforçar a educação para relações mais iguais e respeitosas entre meninos e meninas.
Fonte da matéria: itatiaia.com.br


