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Toque no play para começarFonte: Arquivo pessoal
Depois de uma viagem aérea de aproximadamente duas horas, a brasiliense Karina Ribeiro, 47 anos, desenvolveu tromboembolismo pulmonar (TEP), condição em que coágulos formados, em geral nas pernas, migram para as artérias pulmonares e podem ser fatais se não tratados com rapidez.
Cerca de dez dias antes do voo, Karina percebeu leve inchaço na perna esquerda, mas manteve a viagem com os filhos para Balneário Camboriú (SC), onde visitou o parque Beto Carrero World. Ela viajou de Brasília a Florianópolis com escala em São Paulo.
Nos dias seguintes à chegada, sentiu pontadas na perna que atribuiu a dor muscular. No terceiro dia, ao subir um lance de escadas no hotel, apresentou falta de ar e dor no peito, teve de sentar-se e demorou cerca de dez minutos para se recompor. Ainda durante a viagem, notou cansaço atípico em um deslocamento ao mercado.
De volta ao Distrito Federal, procurou atendimento médico. Ao chegar ao hospital estava dessaturada — com nível de oxigênio no sangue abaixo do normal — e foi encaminhada com suspeita de tromboembolismo pulmonar. Uma equipe multidisciplinar conduziu o caso.
A cardiologista Anny Gutemberg, coordenadora dos protocolos de dor torácica e tromboembolismo pulmonar do Hospital Brasília Águas Claras, destacou que o TEP é tempo‑dependente e que reconhecer o quadro rapidamente e organizar a equipe aumenta as chances de evitar complicações graves.
Karina permaneceu cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e mais dois dias na enfermaria. O tratamento incluiu uma intervenção minimamente invasiva que administra o medicamento diretamente no local do coágulo. Ela evoluiu bem, mas precisa manter acompanhamento e uso de anticoagulantes.
O cardiologista Eduardo Lima, do Hospital Nove de Julho e coordenador de cardiologia da Rede Américas, explicou que os coágulos responsáveis pelo TEP normalmente se originam fora do pulmão. Ele lembrou a tríade de Virchow — lesão da parede do vaso, hipercoagulabilidade e estase sanguínea — como fatores associados à formação desses trombos.
Especialistas listam fatores de risco que aumentam a chance de TEP: cirurgias, imobilidade, internações, câncer, uso de hormônios, gestação, predisposição genética e idade avançada. Viagens longas, acima de quatro horas, também favorecem a formação de trombos pela redução da circulação durante o período sentado.
As recomendações para voos prolongados incluem levantar-se e movimentar-se a cada duas horas, usar meias elásticas e, quando indicado por médico, considerar anticoagulação profilática.
Karina relatou que nos primeiros 30 dias após a internação ficou muito cansada e com falta de ar, mas hoje diz estar “98% melhor” e valorizar mais os momentos com a família.
Fonte da matéria: metropoles.com

