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Fed enfrenta decisão dividida sobre elevar juros na reunião de 28 e 29 de julho

Fed enfrenta decisão dividida sobre elevar juros na reunião de 28 e 29 de julho

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Fonte: O novo presidente do Federal Reserve dos EUA, Kevin Warsh, concede uma coletiva de imprensa após uma reunião de dois dias do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na sede do Federal Reserve em Washington, D.C., EUA, em 17 de junho de 2026. REUTE

Os dirigentes do Federal Reserve se reúnem nos dias 28 e 29 de julho diante de um ressurgimento de pressões inflacionárias que pode tornar a decisão sobre manter ou elevar os juros muito apertada e potencialmente controversa.

A reavivada tensão no Oriente Médio provocou novo avanço nos preços do petróleo, o que ofuscou a leitura mais amena do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de junho — divulgado pelo Departamento do Trabalho em 14 de julho — quando a inflação recuou pela primeira vez em seis anos. Ao mesmo tempo, uma forte demanda ligada à inteligência artificial e anúncios de novas tarifas pelo governo Trump aumentaram preocupações sobre persistência dos preços.

Investidores elevaram recentemente suas apostas de alta de juros para a reunião desta semana, com probabilidades que chegaram perto de 40% em determinado momento e que, ao final da semana passada, estavam em torno de 35% segundo contratos futuros de fundos federais. Essas chances haviam caído para cerca de 10% após os dados de junho, mas voltaram a subir com a escalada do conflito com o Irã.

Alguns membros do Fed já expuseram argumentos a favor de uma elevação imediata ou próxima. Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas, defendeu uma alta modesta, citando que a inflação não caminha de forma sustentável rumo à meta de 2%. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, também tem enfatizado que a inflação é uma preocupação prioritária e ambos votarão na decisão desta semana, podendo registrar votos dissidentes caso a taxa seja mantida.

A ata da reunião anterior mostrou que a maioria dos dirigentes discutiu cenários em que a inflação permanecesse elevada por causa da demanda relacionada à IA, do conflito no Oriente Médio ou dos efeitos das tarifas, e que tais cenários provavelmente exigiriam juros mais altos.

Analistas e gestores financeiros reagiram à incerteza. Alex Payne, da Vanguard, ressaltou que o aumento do risco de alta do petróleo muda a percepção sobre persistência inflacionária. Claudia Sahm, da New Century Advisors, observou a existência de um pequeno grupo já pronto para agir e outro maior que prefere aguardar melhoria adicional. Pradeep Bhatia, da Derivative Path, afirmou que parte dos bancos está se posicionando para altas enquanto outros se protegem contra cortes, evidenciando que o mercado se prepara para ambos os resultados.

Dirigentes do Fed também têm apontado que a decisão dependerá da evolução dos dados: se o aumento dos preços de energia tiver baixa disseminação e o desemprego subir, a autoridade pode permanecer em pausa ou até cortar juros; por outro lado, caso a inflação não dê sinais de arrefecimento, a retomada de aumentos pode ser considerada nas próximas reuniões. O vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, afirmou que seria apropriado reavaliar a postura de política se a inflação efetiva não começar a diminuir em breve.

Elevar os juros nesta reunião pode ajudar o presidente do Fed, Kevin Warsh, a reforçar a credibilidade do banco central no combate à inflação, e seria visto por alguns como menos arriscado politicamente do que um ajuste mais próximo das eleições de meio de mandato em novembro, segundo comentários de Joseph Lavorgna, do SMBC Nikko Securities America. A coletiva de imprensa pós-decisão de Warsh será acompanhada de perto em busca de sinais sobre a trajetória da política monetária; para Matthew Luzzetti, do Deutsche Bank Securities, o essencial será identificar onde está o centro do comitê sobre a necessidade de novas altas.

Fonte da matéria: infomoney.com.br