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Crise da laranja na Bahia faz preços desmoronarem em 2026

Crise da laranja na Bahia faz preços desmoronarem em 2026

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Fonte: Rota da Laranja

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e líder nas exportações de suco concentrado. A Bahia ocupa posição relevante nesse cenário: é o quarto maior produtor do país e o principal no Nordeste.

O quadro favorável observado em 2024, quando a menor oferta mundial elevou preços e melhorou a rentabilidade dos citricultores baianos, mudou nos anos seguintes. Em 2024, o custo médio de produção em Inhambupe era estimado em cerca de R$ 500, e a tonelada podia chegar a valer até R$ 2.000.

A partir de 2025, a recuperação da oferta e dos estoques internacionais fez o mercado abandonar os patamares de preço mais altos. Ao mesmo tempo, a produção na Bahia manteve-se elevada, ampliando a diferença entre a quantidade disponível e a capacidade de absorção do mercado.

Em 2026, a situação se agravou: o custo para produzir uma tonelada pode ser até duas vezes maior do que o retorno obtido com sua venda. Além do volume excessivo, a falta de capacidade industrial no estado dificulta o processamento da fruta; parte da produção é enviada para indústrias em Sergipe.

Sergipe também registrou safra elevada, e a combinação entre a produção local e as remessas vindas da Bahia sobrecarregou as unidades industriais, resultando em longas filas de caminhões e dificuldades de recebimento.

O desequilíbrio entre custo de colheita e transporte e o preço pago pela fruta levou alguns produtores a deixar de colher pomares, doar o excedente colhido ou mesmo destruir plantas. Em Rio Real, município entre os principais polos citrícolas da Bahia, produtores ligados ao sindicato local participaram de ação de distribuição gratuita de laranjas para a comunidade.

Desde o início de 2026, citricultores e representantes do setor têm buscado apoio junto a entidades públicas. O Governo Federal autorizou a concessão de até R$ 10 milhões em subvenção econômica para apoiar produtores de laranja in natura na safra 2026/2027.

Representantes do setor, porém, avaliam que o montante anunciado é insuficiente diante da dimensão do problema. Mari Anna Batista, presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que participou das tratativas, afirma que a medida tem abrangência nacional e não prevê prioridade para a Bahia; na visão dela, o orçamento disponível é reduzido diante do número de produtores afetados.

Para a citricultura baiana, a solução dependerá não apenas da recuperação dos preços, mas também do aumento da capacidade de processamento. Enquanto a oferta permanecer elevada e a indústria não acompanhar o volume produzido, os produtores seguirão com dificuldades para transformar a colheita em renda, mesmo em um estado de destaque na produção nacional.

Fonte da matéria: iagronoticias.com.br