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Estreito de Bab el‑Mandeb: importância estratégica e riscos do bloqueio anunciado pelos houthis

Estreito de Bab el‑Mandeb: importância estratégica e riscos do bloqueio anunciado pelos houthis

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Fonte: Reprodução | Google Maps

O Estreito de Bab el‑Mandeb, situado entre o Iêmen e os países africanos Djibuti e Eritreia, é uma passagem marítima vital que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, em seguida, ao Oceano Índico. Por essa rota passam embarcações que se dirigem ao Canal de Suez, a principal ligação marítima entre Ásia e Europa.

Milhões de barris de petróleo e grandes volumes de mercadorias transitam diariamente pela região. Interrupções na navegação podem causar atrasos nas cadeias de abastecimento, elevar custos do transporte marítimo e pressionar os preços internacionais de energia. Se o estreito ficar inseguro, muitos navios teriam de contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando tempo de viagem, consumo de combustível e frete.

Além do Canal de Suez, o Bab el‑Mandeb é considerado um dos principais gargalos comerciais do mundo, juntamente com o Estreito de Ormuz. Com tensões que já afetaram o fechamento do Ormuz, o Mar Vermelho tornou‑se alternativa importante para o escoamento de petróleo e produtos do Golfo; um bloqueio em Bab el‑Mandeb poderia fechar simultaneamente duas das principais rotas de exportação do Oriente Médio.

Os rebeldes houthis controlam grande parte da costa oeste do Iêmen, voltada para o estreito, o que lhes permite atingir embarcações com drones, mísseis e lanchas explosivas. Nos últimos anos, sobretudo durante a guerra na Faixa de Gaza, o grupo realizou ataques contra navios comerciais e militares no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, levando empresas de navegação a suspender operações ou alterar rotas.

Segundo o porta‑voz militar dos houthis, Yahya Saree, o bloqueio decretado contra a Arábia Saudita é uma resposta às operações sauditas em áreas controladas pelos rebeldes no Iêmen. A medida ocorre após nova troca de ataques entre os houthis e forças aliadas ao governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita, colocando em risco a trégua negociada em 2022 e ocorrendo num contexto de crescente tensão entre Estados Unidos e Irã, aliado político e militar dos houthis.

Especialistas alertam que uma escalada simultânea em Bab el‑Mandeb e no Estreito de Ormuz teria impactos ainda maiores sobre o comércio internacional e os preços de energia. A Organização das Nações Unidas afirmou que as ameaças à liberdade de navegação elevam o risco de uma escalada regional e pediu redução imediata das hostilidades.

Fonte da matéria: itatiaia.com.br